sábado, 11 de julho de 2009

Grillet e o seu Ciúme

“Temos, para as fileiras seguintes: vinte e três, vinte e um, vinte e um, vinte e um. Vinte e dois, vinte e um, vinte, vinte. Vinte e três, vinte e um, vinte, dezenove etc.”

Apesar de muitos críticos acharem que os romances do Nouveau Roman francês sejam ruins, Alain Robbe-Grillet prova justamente o contrário com o seu O Ciúme. Com uma prosa distante, em que os fatos, de forma repetitiva, contam-se e recontam-se, Grillet situa o seu romance na costa africana, cujo calor abafador cria uma atmosfera, onde o ciúme prospera. Personagens, em suma maioria, praticamente anônimos, acontecimentos apáticos, situações repetidas, por vezes, o romance, por tais fatos, torna-se cansativo, entretanto, nem nas maravilhosas prosas de Machado e Proust a atmosfera vivida por um ciumento é tão fielmente, cruelmente e secamente tratada. O enredo é simples, apenas três personagens centrais: o ciumento, a sua mulher, e pseudo-amante; mesmo com o desenvolvimento, o leitor não descobre se há ou não o adultério. Enfim, é um bom livro, contudo é necessário paciência, uma vez que, por melhor que seja o romance, não há de se negar que é cansativo decorrente a passagens em que o narrador conta a quantidade de palmeiras existentes no jardim, ou quando analisa os ângulos das projeções feitas pela sombra do pilar iluminado pelo sol e as inúmeras cenas repetidas, como a morte da lagartixa e a escada cujo corrimão há farpas.

3 comentários:

  1. Ah, Vitu, você é tão cult que me orgulho, haha. Muito phino seu texto.
    Btw, esse livro é meio Dom Casmurro, ou foi só impressão minha mesmo?

    Beijinho doce.

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  2. Eu gosto de descrições enormes e ciúmes machadianos. Vou ler esse livro!

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